
Ilustração:
ALINE LAGE
Por Dra. Adriana Bonfioli - Oftalmologista
Para te ver melhor...
Para ver melhor a vida...
Para enxergar a si mesmo...
Nosso dia-a-dia esta repleto de atividades que dependem da visão. O contato com a família, trabalhos manuais, leitura, televisão... Coisas simples como admirar a paisagem tem ainda mais significado... Tudo isto pode facilmente se perder se o sentido da visão for afetado. São muitas as doenças que podem acometer os olhos, sendo especialmente frequentes após os cinquenta anos. Uma alimentação balanceada, hábitos de vida saudáveis, cuidados simples como usar óculos de sol e fazer uma avaliação periódica com um oftalmologista são essenciais para preservar a qualidade da visão. Detectar precocemente as doenças oculares aumenta as chances de um tratamento bem sucedido e garante a manutenção da qualidade da visão.
Entre as alterações mais comuns após os quarenta anos está a presbiopia, mais conhecida como “vista cansada”. Com o passar dos anos, o cristalino (lente intraocular) perde a capacidade de focalizar a imagem de objetos próximos. A presbiopia é percebida principalmente como uma dificuldade para ler. A correção é feita através do uso de óculos para leitura, bifocais ou multifocais, ou através de lentes de contato.
O olho seco é mais comum nas mulheres e causa sintomas como ardor, vermelhidão, embaçamento visual e lacrimejamento. A superfície ocular com lubrificação inadequada sofre alterações que resultam em pequenas lesões, inflamação e produção reflexa de lágrima, insuficiente para reverter a condição. Comumente o início ou piora dos sintomas está relacionado ao uso do computador, leitura prolongada ou televisão. O tratamento consiste no uso constante de colírios lubrificantes e outras medidas, indicadas conforme o caso.
Várias doenças sistêmicas como a Hipertensão arterial e o Diabetes podem afetar a visão. O controle da pressão arterial e dos níveis glicêmicos é essencial para que se previna o acometimento de órgãos alvo como os olhos, rins e cérebro. Controles periódicos clínico-cardiológicos e oftalmológicos garantem a detecção e tratamento precoce de qualquer alteração ocular.
A catarata é a opacificação do cristalino (lente intraocular). É mais frequente após os cinquenta anos, chegando a afetar mais de 50% das pessoas nessa faixa etária. Os sintomas são embaçamento da visão, diminuição da sensibilidade ao contraste e da visão de cores. É uma doença progressiva e a velocidade da perda visual varia de individuo para individuo. O tratamento da catarata é cirúrgico, consistindo na remoção do cristalino opacificado e implante de uma lente transparente dentro do olho. É um procedimento realizado sob anestesia local e os resultados são normalmente rápidos e muito satisfatórios.
O glaucoma é uma alteração do nervo óptico associado principalmente à pressão ocular elevada. Assim como a hipertensão arterial, é uma doença silenciosa e progressivamente causa perda irreversível da visão. O individuo que apresenta os primeiros sintomas de diminuição do campo visual, já perdeu mais de 50% das fibras nervosas oculares. O glaucoma é suspeitado durante um exame oftalmológico periódico em que é observada alguma alteração no nervo óptico ou na pressão ocular. Para isto a consulta deve incluir sempre a medida da pressão ocular e o exame do fundo do olho. Exames complementares confirmam a presença da doença e o tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível e mantido por toda a vida. Geralmente o glaucoma é tratado com colírios, mas cirurgia pode ser necessária nos casos de difícil controle. É importante a avaliação de outros membros da família, pois a doença tem herança genética.
A degeneração macular acomete a retina e consiste em alterações vasculares, presença de hemorragias e exsudatos que causam progressivamente perda visual irreversível. O tratamento depende do caso, incluindo complexos vitamínicos, laser, medicações injetáveis e cirurgia. Nos últimos anos houve avanços consideráveis no tratamento da degeneração macular, mas o diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para a obtenção de resultados.
A periodicidade do exame oftalmológico em pessoas acima de quarenta anos, sem doença ocular, deve ser anual. Na presença de alterações, podem ser necessárias visitas mais frequentes, de acordo com o caso. É importante submeter-se a um exame completo, de qualidade, e sempre obter informações sobre os resultados dos testes realizados.


