
Ilustração:
LETÍCIA FIGUEROA
Por Wagner Paixão
“O caminho se faz ao andar...”, diz o poeta. Caminhando a vida se revela. A manhã é a festa da descoberta, desaguando na juventude da tarde que se inicia. É nesse período que as faculdades humanas, já em vigoroso exercício, autorizam as conexões, formando todo um painel de desejos, concepções e sensibilidade. Ah, a juventude! Quantos sonhos... quantas aventuras... quanta disponibilidade e que fôlegos! Como tudo tem consequência (e a vida é sempre surpreendente, em poder e vigor, em lições e sabedorias renovados), a energia esfuziante, sem ordem e sem disciplina, transforma-se em responsabilidade. Essa pesa bastante, mas é o poder, em si. Estabelece a gravidade, o centramento, o domínio das forças, numa realização que não pode ser ultrapassada por nada, por ninguém. É a identidade essencial da criatura. Ela, a responsabilidade, guia e defende, dá a autonomia que ultrapassa os limites da matéria, dos sistemas, das crenças, porque fala da alma da vida: o amor!
Toda essa epopéia de coerência e atividade ordenada consome o elã vital, o tônus animalizado. Faz recordar o grande Apóstolo Paulo: “Enquanto o homem exterior se corrompe, o interior se renova, dia por dia”. Sim, a carne se gasta, os sistemas orgânicos – dignos representantes da alma no mundo – se esgotam, se consomem no longo serviço que prestam. Chega então a tardinha, à luz do Sol poente...
“Todo trabalhador é digno do seu salário” – ensinam os divinos lábios do Coração mais puro que já pisou na Terra. E a Vida, atributo excelso da Criação, de Deus, conforta o viajor de todo o dia, o operário da descoberta de si mesmo através de fadigas e trabalhos, de esforços e tentativas, de sonhos e desilusões. A tardinha é mensageira da brisa perfumosa e calma; é palco dourado pelo Sol poente, na mais viva expressão da poesia. E a mamãezinha é o emblema mais encantador do acolhimento, do reconforto e do repouso justo. Dela surgimos para o mundo e para seu colo retornamos, porque é o símbolo augusto da Natureza Divina, a faceta feminina do Criador.
O contentamento é estesia. É brilho espontâneo no olhar, é ritmo harmonioso do coração, é a festa sem alarde, é o retrato da comunhão na paz.


