Disse Ibsen que “o homem mais poderoso do mundo é o que está mais só.” Com todo respeito ao dramaturgo norueguês – e lá terá suas razões –, frases desse rompante costumam bulir com a cabeça da gente: será?
Sucede que, apesar de ser eminentemente social, o homem se afirma é na essência da individualidade. No concerto das vozes, sobressai-se uma, a sua, a que na verdade representa o solo na sinfonia das relações, o manifestar-se responsável pela rota de seu destino. Como refresco para tal conceito, vale uma frase de Pierre Gringore (1457-1538) que tomou ares de provérbio: “É melhor só que mal acompanhado.”
De olho na história, observa-se Chapeuzinho no trajeto que liga sua casa à casa da Vovozinha. A garota sabe que “o lobo mal passeia aqui por perto”. Porém, talvez concorde com lendas e tradições religiosas que entendem o caminho como processo de não somente passagem, mas de provas, ou dê razão a Guimarães Rosa, para quem “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”-
Vai só, soberana em seu caráter de Eu único, singular em sua expressão no mundo. Na cabeça, o projeto de “levar esses doces para a Vovozinha”. Nada a fazer que não seja pôr o pé na estrada.
Quanto à estrada, essa mediadora entre dois pontos simboliza a concretude da ação. Indivíduo que ali está não pode se perder na contemplação que paralise um propósito; é preciso agir com a energia de quem faz o que verdadeiramente quer e deve fazer. É o caso da nossa heroína, pouco se lhe dando a alternativa de ameaças e perigos: o objetivo é mais forte que os protocolos.
O caminho é, sobretudo, o cenário da sagração de desígnios maiores na dinâmica do aperfeiçoamento moral, exortado em Mateus 5, 25: “Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele.”
Não bastasse a intensidade dessa advertência, ouça-se o Cristo a dizer que, além da Verdade e da Vida, ele é o Caminho, anunciando em João 14,6 “ninguém vem ao Pai senão por Mim.”
Diante da eloquência organizadora da compreensão humana, por meio da simbologia, lá vai sozinha a menina, no caminho. Boa sorte, amorosa Chapeuzinho Vermelho. ■
Sucede que, apesar de ser eminentemente social, o homem se afirma é na essência da individualidade. No concerto das vozes, sobressai-se uma, a sua, a que na verdade representa o solo na sinfonia das relações, o manifestar-se responsável pela rota de seu destino. Como refresco para tal conceito, vale uma frase de Pierre Gringore (1457-1538) que tomou ares de provérbio: “É melhor só que mal acompanhado.”
De olho na história, observa-se Chapeuzinho no trajeto que liga sua casa à casa da Vovozinha. A garota sabe que “o lobo mal passeia aqui por perto”. Porém, talvez concorde com lendas e tradições religiosas que entendem o caminho como processo de não somente passagem, mas de provas, ou dê razão a Guimarães Rosa, para quem “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”-
Vai só, soberana em seu caráter de Eu único, singular em sua expressão no mundo. Na cabeça, o projeto de “levar esses doces para a Vovozinha”. Nada a fazer que não seja pôr o pé na estrada.
Quanto à estrada, essa mediadora entre dois pontos simboliza a concretude da ação. Indivíduo que ali está não pode se perder na contemplação que paralise um propósito; é preciso agir com a energia de quem faz o que verdadeiramente quer e deve fazer. É o caso da nossa heroína, pouco se lhe dando a alternativa de ameaças e perigos: o objetivo é mais forte que os protocolos.
O caminho é, sobretudo, o cenário da sagração de desígnios maiores na dinâmica do aperfeiçoamento moral, exortado em Mateus 5, 25: “Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele.”
Não bastasse a intensidade dessa advertência, ouça-se o Cristo a dizer que, além da Verdade e da Vida, ele é o Caminho, anunciando em João 14,6 “ninguém vem ao Pai senão por Mim.”
Diante da eloquência organizadora da compreensão humana, por meio da simbologia, lá vai sozinha a menina, no caminho. Boa sorte, amorosa Chapeuzinho Vermelho. ■
NOTA DA EDITORA
Eis que Rosalvo Braga saiu a caminhar,
foi para junto das estrelas.
Lá vai o menino no caminho...
Boa sorte, amoroso Rosalvo.
1944 - 2009


